FORMATIO SACERDOTALIS | DIRETRIZES PARA A ADMISSÃO, DISCERNIMENTO E ORDENAÇÃO SEGUNDO A DISCIPLINA TRADICIONAL DA IGREJA
CURIA EPISCOPALIS DIOECESIS PERSONALIS SANCTI PII V
VIENNAE – AUSTRIAE
FORMATIO SACERDOTALIS
DIRETRIZES PARA A ADMISSÃO, DISCERNIMENTO E ORDENAÇÃO SEGUNDO A DISCIPLINA TRADICIONAL DA IGREJA
DOM JOSEPH EUGÊNIO RATZINGER GHISLIERI
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
BISPO DA DIOCESE PESSOAL DE SÃO PIO V – ÁUSTRIA
Pax Christi!
Aos nossos diletos Sacerdotes, Formadores, Seminaristas e a todos os que buscam as sagradas fileiras do Altar: Saúde e Bênção Apostólica.
Para que a Diocese Pessoal de São Pio V continue a dar à Santa Igreja santos sacerdotes católicos que sejam autênticos mediadores entre Deus e os homens, sacrificadores irrepreensíveis e defensores infatigáveis do Depositum Fidei, promulgamos as presentes diretrizes para o nosso Seminário Maior Nossa Senhora do Rosário. Este documento estabelece o itinerário humano, espiritual, teológico, moral, litúrgico e afins, que deve ser observado com máximo rigor, garantindo uma formação sólida, imune aos erros do século e fiel à práxis perene da Igreja.
CAPÍTULO I: DO ACOMPANHAMENTO VOCACIONAL E DISCERNIMENTO PRELIMINAR
A seleção dos operários da vinha do Senhor exige extremo escrutínio para que o múnus sacerdotal não seja confiado a mãos inaptas ou movidas por sentimentos puramente seculares.
1. O Estágio de Pré-Seminário: Todo candidato que manifestar o desejo de ingressar nas fileiras sacerdotais será submetido a um período de acompanhamento vocacional sob a direção do Responsável da Formação. O jovem deve demonstrar o uso regular dos Sacramentos, o amor ao Santo Sacrifício da Missa, o hábito da oração mental e a retidão de intenção.
2. Exames de Admissão: Para ingressar formalmente no Seminário, o candidato passará por um rigoroso exame que avaliará:
Sanidade Doutrinária: Rejeição absoluta aos erros do modernismo, do liberalismo e do relativismo teológico.
Equilíbrio Psíquico e Moral: Maturidade comprovada para abraçar o celibato e a vida comunitária.
Aptidão Intelectual: Capacidade de absorver a filosofia escolástica e os dogmas da Igreja.
3. O Ingresso e o Primeiro Juramento: No ato de sua admissão oficial nos quadros do Seminário, antes de iniciar qualquer estudo, o candidato deverá emitir solenemente, de joelhos perante o Reitor e com as mãos sobre os Santos Evangelhos, o Juramento Antimodernista prescrito pelo Papa São Pio X. Com isto, o aspirante sela o seu compromisso inicial de rejeitar as novidades heréticas e submeter sua inteligência à Verdade revelada.
CAPÍTULO II: O ANO DE ESPIRITUALIDADE
Antes de abrir os compêndios acadêmicos, o aspirante deve aprender a ciência dos santos. O Ano de Espiritualidade constitui o alicerce absoluto de toda a formação.
1. Objetivos: Purificar a mente das influências do mundo moderno e introduzir o jovem na vida de oração e disciplina clerical. É o momento de romper com o homem velho.
2. Disciplinas e Práticas: Estudo aprofundado da Ascética e Mística, do Catecismo Romano, da História da Espiritualidade e a Introdução à Sagrada Liturgia. O silêncio, a meditação diária, o Ofício Divino e o trabalho manual moldam a obediência.
3. O Recebimento da Sagrada Batina: Ao término do discernimento deste período, em festa litúrgica determinada pela mesa diretora, o seminarista recebe o hábito eclesiástico (a Batina). A batina professa publicamente que o jovem morreu para o século e que sua vida pertence unicamente a Cristo Rei e à Sua Igreja.
CAPÍTULO III: OS ESTUDOS FILOSÓFICOS E A ENTRADA NO CLERO
O Sacerdote da Tradição deve possuir uma inteligência afiada para discernir a Verdade e esmagar o erro. O Seminário adota o Tomismo Estrito como sua filosofia oficial.
1. Foco Doutrinário: Estudo sistemático da Lógica, Metafísica, Teodiceia, Cosmologia, Psicologia Escolástica e Ética. O currículo dedica especial atenção à refutação cabal do idealismo, do existencialismo e do personalismo moderno, preparando o seminarista para defender a racionalidade da fé contra o subjetivismo contemporâneo.
2. A Primeira Tonsura Clerical: Durante o período dos estudos filosóficos, o seminarista que demonstrar verdadeiro espírito eclesiástico será admitido no estado clerical através da Primeira Tonsura. O Bispo corta simbolicamente cinco mechas de cabelo do candidato em forma de cruz, enquanto este recita o Salmo: "Dominus pars haereditatis meae". A partir deste instante, o jovem deixa de ser um leigo e passa a ser, por direito, um Clérigo, sob a jurisdição do Bispo Ordinário.
CAPÍTULO IV: OS ESTUDOS TEOLÓGICOS
A teologia ministrada no Seminário Nossa Senhora do Rosário afasta-se de todas as novidades desfiguradas, bebendo diretamente nas fontes puras da Revelação.
1. Teologia Dogmática: Estudo aprofundado dos Tratados sobre a Santíssima Trindade, a Criação, a Encarnação, a Redenção, a Graça e a Eclesiologia Tradicional (a Igreja como Sociedade Perfeita e Necessária para a Salvação).
2. Teologia Moral e Direito Canônico: Estudo baseado em Santo Afonso Maria de Ligório e no Código de Direito Canônico de 1917, capacitando o clérigo para ser um confessor justo, misericordioso e firme.
3. Escritura e Patrística: Leitura dos Santos Padres sob o método da exegese tradicional, combatendo o método histórico-crítico racionalista.
CAPÍTULO V: OS GRAUS DAS ORDENS MENORES
O clérigo ascende ao Altar por degraus solenes, assumindo funções que o aproximam paulatinamente do Mistério Eucarístico. Cada Ordem confere uma graça sacramentalícia específica para uma função litúrgica. Conforme a disciplina canônica tradicional, as Ordens Menores englobam desde o Ostiariato até o Subdiaconato:
1. Ostiariato (Porteiro): O clérigo recebe as chaves da igreja. Sua função é guardar a casa de Deus, abrir e fechar o templo, afastar os infiéis e heréticos e tocar os sinos para convocar o povo ao culto. É o guarda da sacralidade.
2. Leitorato (Leitor): O clérigo recebe o livro das leituras. Confere-se-lhe o poder de ler as Sagradas Escrituras publicamente no coro, instruir os fiéis nos rudimentos da fé e abençoar o pão e os frutos novos.
3. Exorcistato (Exorcista): O clérigo recebe o livro dos exorcismos. Confere-se-lhe a potestade litúrgica e espiritual sobre os espíritos imundos, impondo as mãos sobre os catecúmenos e energúmenos para afastar o poder do demônio.
4. Acolitato (Acólito): O clérigo recebe as galhetas vazias e o castiçal com a vela. Sua função é servir o vinho e a água no Altar, acender as luzes do templo e auxiliar os ministros maiores no Sacrifício.
5. Subdiaconato: O último e mais grave degrau das Ordens Menores, que exige a entrega absoluta do candidato. Ao recebê-lo, o subdiácono assume publicamente a obrigação perpétua do Celibato e a recitação diária do Breviário Romano. Na liturgia, ele adquire o direito de tocar nos vasos sagrados (o Cálice e a Patena), purificar os corporais, cantar a Epístola na Missa Solene e servir o Diácono no Altar.
CAPÍTULO VI: OS GRAUS DAS ORDENS SACREDOTAIS - OU MAIORES
As Ordens Maiores imprimem na alma o selo do próprio Cristo de forma direta e sacramental, separando definitivamente o homem para o serviço do Santuário.
1. O Diaconato: O primeiro grau das Ordens Maiores e o ápice do serviço auxiliar. O Diácono é o ministro imediatamente assistente do Bispo e do Sacerdote. Ele adquire a potestade de cantar solenemente o Santo Evangelho, pregar publicamente a sã doutrina do púlpito, administrar solenemente o Sacramento do Batismo e distribuir a Sagrada Eucaristia em caso de necessidade.
2. O Sacerdócio (Sacerdos in aeternum): A meta suprema de toda a formação. Pela imposição das mãos do Bispo Ordinário e pela Oração Consecratória do Pontifical Romano, o Diácono é configurado a Cristo Sacerdote e Vítima, recebendo o caráter indelével para agir in persona Christi. Suas potestades são:
Oferecer o Santo Sacrifício: Celebrar a Missa Tridentina na pureza de seu rito sacrificial, oferecendo o Corpo e o Sangue de Cristo em expiação pelos pecados do mundo.
Absolver os Pecados: Exercer o múnus de juiz espiritual no Tribunal da Penitência (Confissão).
Abençoar e Santificar: Ser o canal das graças divinas para o povo fiel.
Os Votos e Juramentos do Ordenando
Antes de se aproximar do Altar para receber a Sagrada Ordenação Sacerdotal, o Diácono deverá, de forma obrigatória e pública, professar a sua fidelidade inabalável à Igreja através de dois atos solenes:
A recitação integral e pública da Profissão de Fé contida no Credo Niceno-Constantinopolitano, afirmando sua adesão a cada um dos dogmas ali expressos.
A renovação jurada, pela segunda vez e de forma ainda mais grave, do Juramento Antimodernista de São Pio X, selando com o próprio sangue espiritual o compromisso de combater os erros modernos, as novidades litúrgicas e as heresias até o último dia de sua vida.
Dado este modelo, que a mesa diretora de nosso Seminário Nossa Senhora do Rosário guie os corações de nossos candidatos com o rigor e a fidelidade que a Santa Igreja sempre exigiu de seus sacerdotes.
In Christo Rege et Sacerdote Servus,
Datum Viennae, Austriae, ex Episcopatu pro Diocese personali Sancti Pii V, die XVI mensis Iunii, anno Domini MMXXVI, Sede Apostólica Vacante.
PADRE HERCULES, CSsR, Chanceler da Cúria.