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CARTA PASTORAL À TODO CLERO E FIÉIS | SOBRE A RECEPÇÃO DA CARTA ENCÍCLICA ASCENDIT IN CAELUM E A REAVIVAÇÃO DA VIDA LITÚRGICA NA TRADIÇÃO


CURIA EPISCOPALIS DIOECESIS PERSONALIS SANCTI PII V

VIENNAE – AUSTRIAE

EPISTOLA PASTORALIS AD CLERUM ET FIDELES

SOBRE A RECEPÇÃO DA CARTA ENCÍCLICA ASCENDIT IN CAELUM E A REAVIVAÇÃO DA VIDA LITÚRGICA NA TRADIÇÃO


DOM JOSEPH EUGÊNIO RATZINGER GHISLIERI 

POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA 

BISPO DA DIOCESE PESSOAL DE SÃO PIO V – ÁUSTRIA


Aos nossos diletos sacerdotes, consagrados e fiéis leigos: Saúde e Bênção Apostólica.

I. INTRODUÇÃO E RECONHECIMENTO

Aproximando-nos com reverência do Solene Mistério da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, fomos profundamente consolados e iluminados pela recepção da primeira e augusta Carta Encíclica de Sua Santidade, o Papa Pio IV, intitulada Ascendit in Caelum. Em um tempo em que as correntes do mundo moderno tentam secularizar o mistério, reduzir a fé a uma mera sociologia e obscurecer o sentido do sagrado, a voz do Sucessor de Pedro levanta-se da Cátedra Romana para nos recordar que a nossa pátria definitiva não é a terra, mas o Céu, para onde o Divino Rei subiu em glória.

Esta Diocese Pessoal de São Pio V, fiel sentinela da Tradição na Áustria, acolhe este documento pontifício com o mais sincero afeto filial e espírito de obediência. Enxergamos nas palavras do Sumo Pontífice um revigoramento providencial para o nosso múnus de preservar, com fervor, o patrimônio litúrgico imemorial da Santa Igreja Católica.

II. A VISÃO TEOLÓGICA E A REPRIMAZIA DA LITURGIA

Na Encíclica Ascendit in Caelum, Sua Santidade aborda com magistral profundidade a relação íntima entre o Mistério da Ascensão e a vida de oração do Corpo Místico de Cristo. O Santo Padre nos admoesta diretamente contra o perigo do ativismo horizontal e o esquecimento da Transcendência, apontando que a verdadeira Liturgia é aquela que eleva o coração humano ao trono da Majestade Divina.

Como bem recorda o Romano Pontífice em citação direta que deve ressoar no coração de cada clérigo e leigo de nossa diocese:

O Mistério da Ascensão do Senhor não é apenas o coroamento da Sua Páscoa, mas é o farol que aponta a direção perene de toda a ação litúrgica e espiritual da Igreja. Ao subir ao Céu, Cristo não Se afastou de nós, mas abriu o Santuário Celeste para que o culto da Esposa terrena seja uma participação real e mística na Liturgia Eterna. (Papa Pio IV, Carta Encíclica Ascendit in Caelum, n. 4)

Estas palavras confirmam perfeitamente o viés teológico e a posição tradicional de nossa Diocese. O rito de sempre — a Missa Tridentina codificada por São Pio V e mantida conforme o Missal de 1962 — não é um apego estéril ao passado, mas a expressão perfeita dessa realidade: um culto inteiramente voltado para o Alto, onde o sacerdote, voltado ad orientem, conduz o povo ao encontro do Senhor que ascendeu e que se assenta à direita do Pai.

III. EXORTAÇÃO PASTORAL E DETERMINAÇÕES

Para que os ensinamentos da Encíclica Ascendit in Caelum produzam frutos abundantes e revigorem a vida espiritual em nossas comunidades, determinamos:

  • 1. Estudo e Difusão: Que os Revmos. Sacerdotes, em especial o Padre Concriz nos Círculos de Estudos Patrísticos, e o Padre Henrique Lefebvre (Ratzinger) no Secretariado de Formação, promovam a leitura e a meditação profunda desta Encíclica junto aos fiéis e seminaristas.

  • 2. Zelo no Altar: Que o Padre Lourenzo e Dom Gabriel de Orleáns, em suas funções litúrgicas e de cerimonial, zelem para que as celebrações da Ascensão e do tempo após a oitava expressem com máxima dignidade e silêncio sagrado a elevação da mente a Deus, combatendo toda a distração mundana.

  • 3. A Oração na Sede das Almas: Exortamos os fiéis leigos, sob a guia da Senhora Luana Dona Morte e do Senhor Atanásio nos apostolados e na Ordem Terceira, a viverem este tempo litúrgico focados nas "coisas do Alto" (quae sursum sunt sapite, non quae super terram - Col 3,2), intensificando as comunhões reparadoras pela santificação do clero.

IV. CONCLUSÃO E VOTOS

Amados filhos, a Encíclica de Sua Santidade o Papa Pio IV é um chamado à fidelidade. Em um mundo fragmentado, nossa Diocese Pessoal deve permanecer como um farol de perenidade católica. Que a herança litúrgica que guardamos seja o nosso modo concreto de viver a verdade contida na Ascendit in Caelum: a certeza de que nossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Concedemos a todos os sacerdotes, seminaristas, consagrados e fiéis leigos a nossa bênção episcopal, sob os auspícios da Virgem Maria Assunta ao Céu e de São Pio V.

In Christo Rege et Sacerdote Servus,

Datum Viennae, Austriae, ex Episcopatu pro Dioecesi personali Sancti Pii V, die XXVII mensis Maii, anno Domini MMXXVI, anno primo Pontificatus Sanctissimi Domini Nostri Pii IV.

+DOM JOSEPH EUGÊNIO RATZINGER GHISLIERI, Bispo Ordinário.

PADRE HERCULES, CSsR, Chanceler da Cúria.