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DECRETO DE PROMULGAÇÃO E APRESENTAÇÃO DO BRASÃO D’ARMAS DA DIOCESE PESSOAL DE SÃO PIO V | N° 005/2026


CURIA EPISCOPALIS DIOECESIS PERSONALIS SANCTI PII V

VIENNAE – AUSTRIAE

DECRETO Nº 005/2026


DOM JOSEPH EUGÊNIO RATZINGER GHISLIERI 

POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA 

BISPO DA DIOCESE PESSOAL DE SÃO PIO V – ÁUSTRIA


Pax Christi!


Aos que este nosso Decreto virem, Saúde e Bênção Apostólica.

CONSIDERANDO a ereção canônica desta Diocese Pessoal, dedicada à preservação da Tradição Litúrgica e dos Ritos segundo o Missale Romanum de 1962, e a necessidade premente de instituir um símbolo heráldico que represente, visivelmente, sua identidade teológica, histórica e espiritual;

CONSIDERANDO que a heráldica eclesiástica é um instrumento venerável que comunica, através de símbolos e cores, a jurisdição, a missão e a fé de uma Igreja Particular;

TENDO EM VISTA o projeto final apresentado pela Comissão de Heráldica e Arte Sacra desta Diocese, o qual reflete fielmente o carisma e a história de nosso Padroeiro, o Santo Padre, São Pio V;

Por nossa Autoridade Ordinária,

DECRETAMOS, PROMULGAMOS E APRESENTAMOS

através desta Carta Decretal, o BRASÃO D’ARMAS OFICIAL DA DIOCESE PESSOAL DE SÃO PIO V, que passa a ser o selo e o símbolo exclusivo desta jurisdição para todos os fins canônicos, administrativos e representativos.

Abaixo, apresentamos o BLASONAMENTO (descrição técnica) e a EXEGESE TEOLÓGICA, para que todo o Povo de Deus compreenda o profundo significado desta insígnia:

I. O BLASONAMENTO

Escudo Ibérico, com campo partido (dividido verticalmente). A destra (lado esquerdo do observador) é de Sable (preto), carregada com uma Estrela de oito pontas em Ouro. A sinistra (lado direito do observador) é de Gules (vermelho), carregada com um Cálice de Ouro encimado por uma Hóstia de Prata. O Chefe (terço superior do escudo) é de Prata, contendo um Rosário (Terço) de Sable disposto em orla, envolvendo duas chaves cruzadas (em aspa) de Prata.

O escudo é timbrado com as insígnias próprias da dignidade episcopal: a Mitra Episcopal em Prata com detalhes em Ouro e duas ínfulas esvoaçantes. Atrás do escudo, cruzam-se a Cruz Processional (de uma travessa) à destra e o Báculo à sinistra, ambos em Ouro.

Abaixo do escudo, um Listel de Prata com o lema em letras de Sable: “QUOD SEMPER, QUOD UBIQUE, QUOD AB OMNIBUS”.

II. EXEGESE TEOLÓGICA E SIMBOLISMO

A composição deste Brasão foi meticulosamente pensada para refletir a essência desta Diocese Pessoal e sua fidelidade à Tradição.

1. O Campo do Escudo (Identidade e Missão):

  • A Divisão (Partido): Representa a dualidade da missão desta Diocese: a defesa da Fé (doutrina) e a celebração dos Mistérios (liturgia).

  • O Lado Destra (Sable e Estrela de Ouro): O fundo Preto (Sable) evoca a renúncia ao mundo, o rigor doutrinário e a constância. A Estrela de Ouro de oito pontas é o atributo heráldico da família Ghislieri, à qual pertencia São Pio V. Ela simboliza a luz da Sã Doutrina que o Papa Tridentino fez brilhar contra os erros, e que esta Diocese se compromete a guardar. O Ouro significa nobreza e fé inabalável.

  • O Lado Sinistra (Gules, Cálice e Hóstia): O fundo Vermelho (Gules) é a cor do martírio e do Sacrifício. O Cálice e a Hóstia representam a centralidade absoluta do Santo Sacrifício da Missa no Rito Tradicional, a razão de ser desta Diocese Pessoal. A Prata da Hóstia simboliza a pureza do Cordeiro imolado.

2. O Chefe do Escudo (Homenagem e Fidelidade):

  • O Terço (Rosário): Disposto em orla, recorda a vitória naval de Lepanto, obtida pela intercessão de Nossa Senhora sob as ordens de São Pio V, que instituiu a festa do Santíssimo Rosário. Simboliza a arma espiritual da Diocese.

  • As Chaves de São Pedro (em Prata): Inseridas dentro do Rosário, afirmam nossa fidelidade incondicional à Sé Apostólica e ao Magistério perene da Igreja, que São Pio V tão zelosamente defendeu.

3. O Listel e o Lema:

  • “QUOD SEMPER, QUOD UBIQUE, QUOD AB OMNIBUS”: Esta frase latina, tirada do Commonitorium de São Vicente de Lerins, traduz-se como: “O que [foi acreditado] sempre, em toda parte e por todos”. É o cânone da Tradição Católica e o lema que rege a vida e a liturgia desta Diocese.

4. A Fidelidade ao Depósito da Fé: 
  • Tal como o Lema de São Vicente de Lerins, esta Diocese Pessoal ecoa o testemunho profético de Dom Marcel Lefebvre, cujas palavras sobre a natureza da transmissão da Fé são o alicerce de nosso trabalho apostólico: "Tradidi quod et accepi"“Eu vos transmiti o que recebi”. Como o venerável Arcebispo francês declarou com firmeza: "Não somos nós que inventamos a Igreja, nós a recebemos e devemos transmiti-la tal como a recebemos." Esta máxima justifica a existência desta jurisdição: não buscamos novidades, mas a perenidade do altar e da doutrina que os séculos nos legaram.

5. Os Elementos Externos (Insígnias):

  • A Mitra, a Cruz e o Báculo: Não são apenas símbolos de poder, mas de jurisdição espiritual. A Mitra representa a autoridade do Bispo Ordinário sobre o seu rebanho pessoal; a Cruz sustenta a Fé que é pregada; e o Báculo é o cajado do Pastor que guia e protege as ovelhas fiéis à Tradição.

In Christo Servus,

Datum Viennae, Austriae, ex Episcopatu pro Dioecesi personali Sancti Pii V, die XXX mensis Martii, anno Domini MMXXVI.

+DOM JOSEPH EUGÊNIO RATZINGER GHISLIERI, Bispo Ordinário.

PADRE HERCULES, CSsR, Chanceler da Cúria.