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Ritual Romano (Manual dos Sacramentos)


CURIA EPISCOPALIS DIOECESIS PERSONALIS SANCTI PII V

VIENNAE – AUSTRIAE


APOSTILA LITÚRGICA DIOCESANA: RATIO SACRAMENTORUM

MANUAL DE ADMINISTRAÇÃO DOS SACRAMENTOS SEGUNDO O RITUALE ROMANUM DE 1962

Para uso do Clero, Párocos e Seminaristas da Diocese Pessoal de São Pio V


EXORTAÇÃO PASTORAL DO BISPO ORDINÁRIO

Dilecti filii,

Os Santos Sacramentos são os canais visíveis pelos quais o Sangue redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo jorra sobre as almas para purificá-las, santificá-las e prepará-las para a eternidade. O Rituale Romanum é o livro sagrado que guarda a pureza secular desses ritos, imunizando-os contra o horizontalismo e as desfigurações modernas. Administrar um Sacramento não é realizar um ato social ou comunitário; é exercer o múnus de dispensador dos mistérios de Deus.

Exigimos de nosso clero e dos futuros pastores uma fidelidade absoluta a cada palavra, sinal da cruz e unção prescritos. Os sacramentos no rito tradicional possuem uma densidade teológica e uma força de exorcismo que afugentam o demônio e restabelecem o império da graça. Estudai este manual com o temor reverente de quem lida com os tesouros do Céu.

Deus vos abençoe! +

In Christo Rege et Sacerdote,

+DOM JOSEPH EUGÊNIO RATZINGER GHISLIERI, Bispo Ordinário.


CAPÍTULO I: O SANTO BATISMO DE CRIANÇAS (ORDO BAPTISMI PARVULORUM)

O Batismo tradicional divide-se rigidamente em duas partes fundamentais: a recepção e os exorcismos no nártex (átrio) e o batismo propriamente dito no batistério.

[ PARTE I: NO ÁTRIO (NÁRTEX) ] [ PARTE II: NO BATISTÉRIO ]
Sacerdote com ESTOLA ROXA Sacerdote com ESTOLA BRANCA
(Exorcismos, Sopros e Sal bento) (Água batismal e Santo Crisma)

1. Preparativos na Credência do Batistério

  • O vaso com o Sal bento.

  • O vaso com o Óleo dos Catecúmenos (O.C.) e o vaso com o Santo Crisma (S.C.).

  • O algodão purificado para limpar as unções.

  • A concha batismal (de prata ou metal digno) e o jarro.

  • A Vela Branca (círio batismal) e a Veste Branca (alva pequena ou pano de linho).

  • A Mudança de Estola: O Sacerdote deve ter à disposição duas estolas ou uma estola dupla (roxa de um lado, branca do outro), pois a rubrica exige a troca de cor no meio do rito.

2. Primeira Parte: Os Exorcismos no Átrio (Estola Roxa)

  • A Interrogação: O Sacerdote, vestindo sobrepeliz e estola roxa, encontra o infante e os padrinhos à porta da igreja. Interroga: Quid petis ab Ecclésia Dei? (Que pedis à Igreja de Deus?). Os padrinhos respondem: Fidem (A Fé).

  • A Exsuflação (Os Sopros): O Sacerdote sopra três vezes na face da criança em forma de cruz, ordenando a expulsão do demônio: Exi ab eo, immúnde spíritus, et da locum Spirítui Sancto Paráclito.

  • O Sal da Sabedoria: O Sacerdote toma um grão de sal bento e coloca-o na boca da criança, dizendo: Accipe sal sapiéntiæ... O sal preserva da corrupção do pecado e dá o sabor das coisas divinas.

  • O Grande Exorcismo: O celebrante profere as orações de adjuração, traçando o sinal da cruz na fronte da criança para quebrar o império das trevas.

3. Segunda Parte: No Batistério (Estola Branca)

  • A Entrada: O Sacerdote coloca a extremidade de sua estola roxa sobre a criança, introduzindo-a fisicamente na igreja: Ingrédere in templum Dei...

  • A Troca de Cor: Diante do batistério, após a profissão de fé (Credo e Pai Nosso), o Sacerdote retira a estola roxa e veste a estola branca (ou vira a estola dupla para o lado branco), pois cessam os exorcismos e inicia-se o mistério da regeneração real.

  • A Unção dos Catecúmenos: Com o polegar direito, o sacerdote unge a criança com o Óleo dos Catecúmenos no peito e entre os ombros em forma de cruz, abrindo o corpo para o combate cristão. O acólito limpa com o algodão.

  • A Infusão da Água: O padrinho e a madrinha seguram a criança. O Sacerdote, usando a concha, derrama a água batismal três vezes sobre a cabeça da criança em forma de cruz, pronunciando estritamente a forma sacramental: Ego te baptízo in nómine Pa + tris, et Fí + lii, et Spíritus + Sancti.

  • A Unção do Crisma: O Sacerdote unge o vértice da cabeça da criança com o Santo Crisma (S.C.) em forma de cruz, configurando-a a Cristo Rei, Sacerdote e Profeta.

  • Ritos Finais: Entrega-se a veste branca (Accipe vestem cándidam...) e a vela acesa no círio (Accipe lámpadem ardéntem...), exortando o neófito a guardar o batismo até o Tribunal de Deus.

CAPÍTULO II: A EXTREMA UNÇÃO DOS ENFERMOS (EXTREMA UNCTIO)

Este Sacramento confere a cura espiritual e, se for da vontade de Deus, corporal ao fiel em perigo de morte, ungindo as portas dos cinco sentidos corporais pelas quais o pecado entrou na alma.

[ O LEITO DO ENFERMO ]
[Acólito com Vela] [ SACERDOTE ] [Acólito com Algodão]
(Estola Roxa)
(Unções nos cinco sentidos com O.I.)

1. Preparativos na Casa do Enfermo

  • Uma mesa coberta com toalha branca.

  • Um Crucifixo e duas velas acesas.

  • Um prato com seis bolinhas de algodão puro (para limpar as seis unções).

  • Um prato com miolo de pão ou sal (para a purificação dos dedos do sacerdote após as unções).

  • O vaso com o Óleo dos Enfermos (O.I.).

2. A Execução do Rito

  1. Entrada: O Sacerdote entra no recinto vestindo sobrepeliz e estola roxa, dizendo: Pax huic dómui. Respondem: Et ómnibus habitántibus in ea.

  2. Aspersão: Asperge o enfermo, o leito e o quarto com água benta em forma de cruz, recitando o Asperges me.

  3. Confissão e Adjuração: Se o enfermo puder se confessar, o Sacerdote ouve-o e dá-lhe a absolvição. Em seguida, recita as orações de exorcismo sobre o leito.

  4. As Unções Sagradas: O acólito ajoelha-se com a vela acesa. O Sacerdote toma o Óleo dos Enfermos e, com a polpa do polegar direito, unge em forma de cruz os cinco sentidos, recitando a fórmula depreciativa para cada um:

    • Nos Olhos (Pálpebras): Per istam sanctam Uncti + onem... quidquid per visum deliquísti. Amen. (Por esta santa unção... perdoe-vos o Senhor o que delinquisquistes pela vista.)

    • Nos Ouvidos (Lóbulos): ...quidquid per audítum deliquísti. Amen. (Pelo ouvido.)

    • No Nariz (Narinas): ...quidquid per odorátum deliquísti. Amen. (Pelo olfato.)

    • Na Boca (Lábios fechados): ...quidquid per gustum et sermónem deliquísti. Amen. (Pelo gosto e palavra.)

    • Nas Mãos (Palmas para os leigos; Dorso para os sacerdotes, pois suas palmas já foram ungidas na ordenação): ...quidquid per tactum deliquísti. Amen. (Pelo tato.)

    • Nos Pés (Omitido por justa necessidade): ...quidquid per incéssum deliquísti. Amen. (Pelos passos.)

  5. Múnus do Acólito: Após cada unção executada pelo padre, o acólito deve imediatamente limpar o óleo do sentido ungido com uma bolinha de algodão limpa.

  6. Purificação: O Sacerdote esfrega o polegar no miolo de pão ou sal para retirar os vestígios de óleo e lava as mãos. Todas as bolinhas de algodão utilizadas devem ser recolhidas e guardadas para serem queimadas na piscina da sacristia, nunca descartadas no lixo comum.

CAPÍTULO III: O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA (SACRAMENTUM PÆNITENTIÆ)

[ JALOSIA / GRADE DO CONFESSIONÁRIO ]
[ CONFESSOR ] [ PENITENTE ]
(Batina e Estola Roxa) (Ajoelhado no plano)

1. Normas e Rubricas do Confessor

  • O Lugar: O Sacramento deve ser administrado estritamente no confessionário oficial dentro da igreja, munido de uma grade ou jalosia fixa finamente perfurada entre o confessor e o penitente. A confissão de mulheres fora do confessionário é proibida, exceto em caso de grave doença.

  • Paramentos: O sacerdote deve confessar vestido de Batina e Estola Roxa (ou sobrepeliz e estola roxa, conforme o costume legítimo).

2. A Execução das Palavras Absolutórias

  • O penitente acusa seus pecados de joelhos. O confessor dá os conselhos espirituais e impõe a penitência (satisfação).

  • A Absolvição: Enquanto o penitente recita o Ato de Contrição, o confessor estende a mão direita com os dedos unidos em direção à grade (gesto de autoridade judiciária e imposição), proferindo as palavras em voz baixa, fazendo o sinal da cruz no momento exato:

"Deinde ego te absólvo a peccátis tuis, in nómine Pa + tris, et Fílii, et Spíritus Sancti. Amen."

CAPÍTULO IV: O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO (SACRAMENTUM MATRIMONII)

No rito tradicional, o Matrimônio realiza-se antes da Missa Pro Sponso et Sponsa, diante da balaustrada do presbitério.

1. Paramentos e Posição

  • O Sacerdote veste sobrepeliz e estola branca (ou alva, estola e pluvial branco se for feito com máxima solenidade).

  • Os noivos ajoelham-se diante da balaustrada: o noivo à direita e a noiva à esquerda (lado do Evangelho).

2. O Consentimento e a Bênção das Alianças

  • O Consentimento: O Sacerdote interroga o noivo e a noiva separadamente. Após o "Sim" de ambos, o Sacerdote une as mãos direitas dos noivos e envolve-as com as extremidades de sua estola branca, confirmando o vínculo: Ego coniúngo vos in matrimónium, in nómine Pa + tris...

  • Bênção das Alianças: O acólito apresenta as alianças no prato. O Sacerdote recita as orações do Ritual, asperge as alianças com água benta em forma de cruz e o noivo coloca a aliança no dedo anular da noiva, fazendo o mesmo a noiva em seguida.

  • A Missa Nupcial: Terminada a função do casamento, o Sacerdote retira o pluvial (se usou), veste a Casula Branca e inicia imediatamente a Missa Votiva Pro Sponsis. A grande Bênção Nupcial Solene é proferida pelo padre após o Pater Noster, voltado para os esposos ajoelhados no supedâneo.