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Como rezar uma missa


CURIA EPISCOPALIS DIOECESIS PERSONALIS SANCTI PII V

VIENNAE – AUSTRIAE


APOSTILA LITÚRGICA DIOCESANA: RATIO CELEBRANDI

MANUAL PRÁTICO-RUBRICISTA DA SANTA MISSA REZADA (MISSA PRIVATA) CONFORME O MISSAL ROMANO DE 1962 E O CURSO DE LITURGIA DO PE. J. B. REUS, S. J.

Para uso exclusivo dos Seminaristas e do Clero da Diocese Pessoal de São Pio V


INTRODUÇÃO DO BISPO ORDINÁRIO

Dilecti filii,

A Liturgia não é uma mera representação teatral ou um formalismo vazio; ela é o culto público, social e oficial que o Corpo Místico de Cristo presta à Divina Majestade. Conforme nos ensina a sã doutrina teológica, o Sacerdote no Altar atua in persona Christi, sendo Cristo o Liturgo principal e o próprio Sacrificador que outrora se ofereceu na Cruz.

Para que este Santo Sacrifício seja oferecido com a máxima reverência e correção canônica, determinamos a publicação desta apostila formativa, extraída do magistral Curso de Liturgia do Pe. João Batista Reus, S. J., adaptada às rubricas do Missal de 1962. Estudai estas normas com amor e temor santo, pois a exatidão exterior é o reflexo da fé interior (lex orandi, lex credendi).

In Christo Rege,

+DOM JOSEPH EUGÊNIO RATZINGER GHISLIERI, Bispo Ordinário.


PARTE I: A PREPARAÇÃO DO MINISTRO E O ACESSO AO ALTAR

1. Na Sacristia: O Revestimento Sagrado

Antes de se aproximar do Altar, o sacerdote deve purificar sua alma pelo Sacramento da Penitência e recolher-se em oração mental. Vestindo as vestes prelaticiais ou clericais cabíveis, ele inicia o revestimento com as orações prescritas, que expressam o simbolismo moral de cada paramento:

  • O Amito: O sacerdote toma o amito pelas extremidades, beija a cruz bordada no centro e o coloca sobre a cabeça (relembrando o véu com que cobriram a face de Cristo), descendo-o para o pescoço e amarrando as fitas em cruz no peito. Simboliza o capacete da salvação contra os dardos do demônio.

  • A Alva: Veste a alva branca de linho puro. Deve ser comprida o suficiente para chegar ao tornozelo. Simboliza a mundície da alma e a pureza de vida.

  • O Cíngulo (Cordão): Cinge a alva ao redor dos rins, cruzando-o por trás e amarrando-o à frente. Simboliza a castidade e a contenção das paixões.

  • O Manípulo: Põe-se exclusivamente sobre o antebraço esquerdo, preso por fitas. Simboliza as lágrimas de penitência e o labor sacerdotal.

  • A Estola: O sacerdote coloca-a sobre o pescoço e cruza-a sobre o peito (se for simples sacerdote), prendendo as pontas com o cígulo. Simboliza a autoridade sacerdotal e a veste da imortalidade.

  • A Casula: Veste o paramento principal, que cobre os demais. Simboliza o jugo do Senhor e a virtude da caridade.

2. A Entrada Processional

  • Preparação do Cálice: O cálice já deve estar preparado sobre a credência ou sacristia: coberto pelo sanguinho dobrado, a patena com a hóstia de trigo ázimo, a pala de linho e o véu da cor litúrgica do dia. Sobre o véu, coloca-se a bolsa com o corporal dentro.

  • A Procissão de Entrada: O sacerdote coloca o barrete na cabeça e, segurando o cálice com a mão esquerda pela base e a direita sobre a bolsa, caminha com os olhos baixos e passo grave. À frente vai o acólito (ajudante).

  • Chegada ao Altar: Ao chegar diante do altar, o sacerdote tira o barrete com a mão direita e o entrega ao acólito. Faz uma inclinação profunda à cruz (ou genuflexão simples se houver o SS. Sacramento no tabernáculo). Sobe ao altar, estende o corporal no meio da mesa e coloca o cálice sobre ele. Abre o missal no lado da epístola. Volta ao meio, oscula o altar (beijando o meio da mesa sagrada, que representa Cristo) e desce os degraus para iniciar as Orações ao Pé do Altar.

PARTE II: A MISSA DOS CATECÚMENOS (DA PREPARAÇÃO ÀS LEITURAS)

[ ALTAR DE PEDRA ]
----------------------------------
(Lado do Evangelho) (Lado da Epístola)
[Missal Aberto]
[SACERDOTE]
(Orações ao pé do altar)

1. As Orações ao Pé do Altar

  • O Sinal da Cruz: De pé no plano, o sacerdote faz o grande sinal da cruz, dizendo em voz clara: In nómine Patris, et Filii, et Spíritus Sancti. Amen.

  • O Salmo Iudica me: O celebrante recita alternadamente com o acólito o Salmo 42 (Iúdica me, Deus...), omitindo o Glória Patri nas Missas de Réquiem e no Tempo da Paixão. No final, inclina-se profundamente para dizer o Confiteor.

  • O Confiteor (Confissão Pública): O sacerdote diz a fórmula de confissão, batendo no peito três vezes com a mão direita ao dizer mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa. O acólito responde com o Misereátur tui.... Em seguida, o acólito faz o mesmo, e o sacerdote concede a absolvição litúrgica (Indulgéntiam, absolutiónem...), fazendo o sinal da cruz.

2. O Intróito e o Kyrie

  • O sacerdote sobe ao altar dizendo orações em voz baixa (Aufer a nobis e Oramus te, Domine), osculando a mesa sagrada no local onde estão as relíquias dos Santos Mártires.

  • O Intróito: Vai para o lado da epístola, faz o sinal da cruz sobre si e lê o Intróito do dia do missal.

  • O Kyrie eleison: No meio do altar, recita com o acólito o Kyrie (três vezes Kyrie eleison, três vezes Christe eleison, três vezes Kyrie eleison), glorificando a Santíssima Trindade.

  • O Gloria in excelsis: Se as rubricas do dia prescreverem (omitido nos tempos de penitência e luto), o sacerdote entoa o hino abrindo e juntando as mãos, fazendo uma inclinação de cabeça à palavra Deus e ao nome de Iesus.

3. A Coleta (Oração) e as Leituras

  • Dominus vobiscum: O sacerdote oscula o altar no meio, volta-se para o povo estendendo e juntando as mãos, e diz: Dóminus vobíscum. O acólito responde: Et cum spíritu tuo.

  • A Coleta: Vai ao missal (lado da epístola) e diz Oremus. Com as mãos estendidas, lê as orações do dia. No fim da primeira e da última oração, conclui com a fórmula trinitária longa (Per Dóminum nostrum Iesum Christum...).

  • A Epístola: O sacerdote lê a Epístola ou lição correspondente. No fim, o acólito responde Deo grátis. Segue-se a leitura do Gradual, Trato ou Aleluia.

  • O Munda cor meum: Enquanto o acólito translada o missal para o lado do evangelho, o sacerdote vai ao meio do altar, inclina-se profundamente e reza em voz baixa o Munda cor meum, pedindo a purificação de seus lábios para anunciar a Palavra de Deus.

  • O Santo Evangelho: No lado do evangelho, voltado para o livro, o sacerdote diz Dóminus vobíscum e faz o pequeno sinal da cruz com a polpa do polegar sobre o texto do missal, e depois sobre sua própria testa, boca e peito. Recita o Evangelho. No fim, o acólito responde: Laus tibi, Christe, e o celebrante oscula o texto sagrado, dizendo tacitamente Per evangélica dicta deleántur nostra delícta.

  • O Credo: Se houver, recita-se no meio do altar. Às palavras Et incarnátus est... et homo factus est, o sacerdote faz uma genuflexão simples e lenta sobre o supedâneo.

PARTE III: A MISSA DOS FIÉIS (DO OFERTÓRIO AO CÂNON)

[ CORPORAL ESTENDIDO ]
[Pátena com Hóstia] [Cálice com Vinho/Água]
\ /
\ /
[ SACERDOTE ]

1. O Ofertório: A Preparação das Matérias

  • O sacerdote oscula o altar, saúda o povo com o Dóminus vobíscum e diz Oremus.

  • Oferecimento da Hóstia: Toma a patena com a hóstia de trigo ázimo e eleva-a com ambas as mãos até a altura do peito, rezando o Súscipe, sancte Pater. Faz o sinal da cruz com a patena e depõe a hóstia sobre o corporal.

  • Preparação do Cálice: Vai ao lado da epístola. Limpa o cálice com o sanguinho. O acólito apresenta as galhetas. O sacerdote deita o vinho no cálice. Em seguida, faz o sinal da cruz sobre a galheta de água e deita apenas algumas gotas de água no vinho. Simboliza a união da natureza humana com a divina e a união do povo fiel com Cristo.

  • Oferecimento do Cálice: No meio do altar, eleva o cálice até a altura dos olhos, oferecendo-o com a oração Offérimus tibi, Dómine. Faz o sinal da cruz com o cálice e o coloca sobre o corporal, cobrindo-o com a pala.

  • O Lavabo: O sacerdote volta ao lado da epístola e lava as extremidades dos dedos polegar e indicador (os dedos que tocarão a hóstia consagrada), recitando o salmo Lavábo inter innocéntes manus meas.... Enxuga-os com o manustérgio.

  • O Orate fratres: No meio do altar, inclina-se, oscula a mesa, volta-se para o povo pela direita e diz em voz alta as duas primeiras palavras: Oráte, fratres..., completando o resto em voz baixa enquanto termina a volta completa pelo mesmo lado. O acólito responde: Suscípiat Dóminus sacrifícium de mánibus tuis....

2. O Prefácio e a Entrada no Cânon

  • As Secreta: O sacerdote reza em voz totalmente baixa (tacitamente) as orações secretas do dia, concluindo a última em voz alta com o Per ómnia sæcula sæculórum para introduzir o diálogo do Prefácio.

  • O Prefácio: Mantendo as mãos estendidas, o sacerdote canta ou recita o Prefácio, elevando os corações dos fiéis ao Trono Divino (Sursum corda). Conclui inclinando-se para rezar o Sanctus, batendo no peito três vezes, enquanto o acólito toca a campainha.

  • O Cânon Romano: O sacerdote estende as mãos, eleva os olhos ao céu, baixa-os imediatamente, inclina-se profundamente sobre o altar, apóia as mãos juntas sobre a mesa e inicia o Cânon em voz estritamente baixa (Te ígitur). Oscula o altar e faz três sinais da cruz sobre as oblatas (+ hæc dona, + hæc múnera, + hæc sancta sacrifícia illibáta).

PARTE IV: A CONSAGRAÇÃO E A COMUNHÃO

[ O ALTARE ]
(Os polegares e indicadores permanecem unidos)
\ /
\ /
[ SACERDOTE ]

1. A Consagração da Hóstia

  • Hanc igitur: O celebrante estende as mãos abertas sobre o cálice e a hóstia (em sinal de oblação e substituição vicária), enquanto o acólito toca a campainha uma vez.

  • Qui pridie: O sacerdote toma a hóstia com os dedos polegar e indicador de ambas as mãos. Inclina-se profundamente e, pronunciando as palavras da consagração de forma secreta, clara e atenta (HOC EST ENIM CORPUS MEUM), opera a transubstanciação.

  • Elevação da Hóstia: Imediatamente, o sacerdote faz uma genuflexão simples sobre o supedâneo para adorar o Corpo de Deus. Levanta-se e eleva a Sagrada Hóstia acima de sua cabeça para que possa ser vista e adorada pelo povo. O acólito toca a campainha três vezes. O sacerdote depõe a Hóstia sobre o corporal e faz nova genuflexão.

  • A partir deste momento, os dedos polegar e indicador de ambas as mãos permanecem unidos e só se separam para tocar a Hóstia Consagrada.

2. A Consagração do Cálice

  • O sacerdote descobre o cálice (retirando a pala) e faz a genuflexão. Toma o cálice com ambas as mãos (a direita no nó, a esquerda na base), inclina-se e profere as palavras da consagração sobre o vinho (HIC EST ENIM CALIX SANGUINIS MEI...).

  • Elevação do Cálice: Coloca o cálice sobre o corporal, cobre-o com a pala e faz a genuflexão. Levanta-se e eleva o cálice contendo o Preciosíssimo Sangue para a adoração pública. O acólito toca a campainha três vezes. Depõe o cálice e genuflete.

3. As Orações Pós-Consagração e o Pater Noster

  • O sacerdote prossegue as orações do Cânon em voz baixa (Unde et memores, Supra quæ, Supplices te rogamus). Ao chegar ao Nobis quoque peccatóribus, diz estas quatro palavras em voz ligeiramente audível, batendo no peito uma vez.

  • A Pequena Elevação: No fim do Cânon (Per ipsum...), o sacerdote descobre o cálice, genuflete, toma a Sagrada Hóstia com a mão direita e faz com ela cinco sinais da cruz sobre o cálice. Eleva ligeiramente o cálice e a Hóstia juntos, oferecendo toda a glória à Santíssima Trindade. Cobre o cálice e genuflete.

  • O Pater Noster: O sacerdote recita sozinho em voz alta a Oração do Senhor (Pater noster...). O acólito responde apenas a última petição: Sed líbera nos a malo. O sacerdote responde tacitamente: Amen.

4. A Fração do Pão e a Comunhão do Sacerdote

  • A Fração: O sacerdote parte a Sagrada Hóstia ao meio sobre o cálice, e de uma das metades retira uma pequena partícula. Deixa cair essa partícula dentro do Preciosíssimo Sangue (Pax + Dómini sit + semper + vobíscum). Simboliza a união da natureza divina com a humana.

  • Agnus Dei: Recita o Agnus Dei com o acólito, batendo no peito três vezes. Nas Missas comuns, reza as três orações antes da Comunhão.

  • Domine, non sum dignus: Tomando as duas metades da Hóstia na mão esquerda e inclinando-se ligeiramente, o sacerdote bate no peito três vezes com a mão direita, dizendo em voz alta as palavras iniciais: Dómine, non sum dignus.... O acólito toca a campainha a cada vez.

  • A Comunhão do Celebrante: O sacerdote comunga do Corpo de Cristo, fazendo o sinal da cruz com a Hóstia antes de recebê-La. Recolhe-se em meditação silenciosa por alguns instantes. Descobre o cálice, genuflete, recolhe os fragmentos do corporal com a patena e verte-os no cálice. Toma o cálice com a mão direita e comunga do Preciosíssimo Sangue, fazendo o sinal da cruz com o cálice.

PARTE V: AS ABLUÇÕES E OS RITOS FINAIS

1. As Abluções do Cálice e dos Dedos

  • Primeira Ablução: O acólito aproxima-se com a galheta de vinho e verte uma quantidade de vinho dentro do cálice. O sacerdote move o cálice para recolher o Sangue restante e consome o vinho.

  • Segunda Ablução: O sacerdote vai ao lado da epístola. O acólito verte primeiro vinho e depois água sobre os dedos polegar e indicador do sacerdote, que estão juntos sobre a copa do cálice. O sacerdote enxuga os dedos com o sanguinho. Retorna ao meio do altar e consome a água e o vinho da ablução.

  • Purificação Final: O sacerdote limpa o cálice com o sanguinho, dobra o corporal, recompõe o cálice cobrindo-o com o sanguinho, a patena, a pala e o véu da cor do dia, colocando a bolsa por cima, exatamente como no início.

2. O Ite, missa est e a Bênção Final

  • A Comunhão e a Pós-Comunhão: O celebrante vai ao missal (lado da epístola) e lê a Antífona da Comunhão. Vai ao meio, saúda o povo com o Dóminus vobíscum e retorna ao missal para ler as orações de Pós-Comunhão.

  • O Despedimento: No meio do altar, o sacerdote oscula a mesa, volta-se para o povo e diz: Ite, missa est. O acólito responde: Deo grátis. Nas Missas de penitência diz-se Benedicámus Dómino; nas de Réquiem, Requiéscant in pace.

  • A Bênção Final: O sacerdote inclina-se diante do altar para rezar o Pláceat tibi, sancta Trínitas. Oscula o altar, eleva os olhos, estende, junta e eleva as mãos, inclinando a cabeça à palavra Deus, volta-se para o povo e abençoa-o: Benedícat vos omnípotens Deus, Pater, et Fílius, + et Spíritus Sanctus. Amen.

3. O Último Evangelho e a Retirada

  • No lado do evangelho, o sacerdote recita o Prólogo do Evangelho de São João (In princípio erat Verbum...). Faz o pequeno sinal da cruz na testa, boca e peito. Às palavras ET VERBUM CARO FACTUM EST, faz uma genuflexão simples em direção ao altar. O acólito responde: Deo grátis.

  • O sacerdote desce ao plano, faz a inclinação profunda ou genuflexão à cruz, recebe o barrete do acólito, coloca-o na cabeça e retira-se para a sacristia precedido pelo ajudante, mantendo o cálice seguro junto ao peito.




APOSTILA LITÚRGICA DIOCESANA: RATIO CELEBRANDI – MÓDULO II

MANUAL DE EXECUÇÃO DA SANTA MISSA SOLENE (MISSA SOLEMNIS) CONFORME AS RUBRICAS DE 1962 E O PONTIFICAL ROMANO

Para uso do Clero, Diáconos, Subdiáconos e Cerimoniários da Diocese Pessoal de São Pio V


DIRETRIZES GERAIS DA ENGENHARIA LITÚRGICA

A Missa Solene é a manifestação visível da harmonia celeste na terra. Nela, as funções são estritamente distribuídas: o Celebrante atua na união mística com Cristo, o Diácono representa o serviço evangélico e a assistência imediata ao Altar, e o Subdiácono encarrega-se das leituras e do cuidado com os vasos sagrados.

PARTE I: RITOS INICIAIS, ASPERSÃO E INCENSAÇÃO DO ALTAR

1. O Rito da Aspersão (Asperges me)

Antes da Missa principal do Domingo, realiza-se a aspersão da água benta.

  • Paramentos: O Celebrante veste Alva, Estola e Pluvial da cor do dia (sem casula e sem manípulo). O Diácono e o Subdiácono vestem Alva e Cíngulo (o Diácono com a Estola a tiracolo), sem manípulo e, em tempos de penitência, usam a planeta plicata (casula dobrada na frente).

  • A Ação: Diante do Altar, todos ajoelham-se no degrau inferior. O Diácono entrega o hissope ao Celebrante com os ósculos (beija-se primeiro o objeto, depois a mão do padre). O Celebrante entoa o Asperges me (ou Vidi aquam no Tempo Pascal) e asperge o Altar três vezes (meio, esquerda e direita), depois a si mesmo, e de pé asperge os ministros, o clero e o povo.

  • Retorno: Voltam à sacristia. O Celebrante depõe o Pluvial e veste a Casula e o Manípulo. O Diácono e o Subdiácono põem seus respectivos manípulos, Dalmática e Tunicela.

      [ CRUCIFIXO DO ALTAR ]
         [ CELEBRANTE ]
    [DIÁCONO]       [SUBDIÁCONO]

2. A Entrada Solene e as Orações ao Pé do Altar

  • A Ordem da Procissão: Turiferário (com o turíbulo fumegante) -> Acólitos com os castiçais -> Mestre de Cerimônias (MC) -> Subdiácono -> Diácono -> Celebrante (com o barrete posto).

  • As Orações: Ao chegar, os ministros entregam os barretes ao MC. O Subdiácono não carrega o cálice (este já está na credência); quem carrega o cálice velado é o Diácono. Faz-se a reverência devida ao Altar. O Celebrante fica no meio, ladeado pelo Diácono à sua direita e o Subdiácono à sua esquerda. Iniciam-se as Orações ao Pé do Altar em voz baixa, enquanto o coro canta o Intróito.

3. A Primeira Incensação do Altar

  • Imposição do Incenso: Subindo ao Altar, o Celebrante beija a mesa sagrada. O Diácono apresenta a naveta com os ósculos de praxe, dizendo: Benedícite, Pater reverénde. O Celebrante deita três colheres de incenso no turíbulo e faz o sinal da cruz sobre ele, dizendo: Ab illo benedícáris...

  • Incensação do Altar: O Diácono entrega o turíbulo ao Celebrante. O Celebrante incensa o Crucifixo com três ictos (golpes), oscula o altar e procede à incensação sistemática de toda a mesa do altar e das relíquias ou imagens dispostas entre os castiçais. O Diácono e o Subdiácono acompanham o Celebrante dos lados, segurando as fimbrias (bordas) da casula com uma das mãos.

  • Incensação do Celebrante: Terminada a volta, o Celebrante entrega o turíbulo ao Diácono no lado da epístola. O Diácono incensa o Celebrante com dois golpes (ictos). O Subdiácono permanece de pé, voltado para o Diácono, fazendo inclinação profunda junto com ele antes e depois do ato.

PARTE II: A LITURGIA DA PALAVRA (MÚNUS DOS MINISTROS MAIORES)

      [LADO DO EVANGELHO]             [LADO DA EPÍSTOLA]
   [Missal do Evangelho]               [Missal da Epístola]
                                           [SUBDIÁCONO]
                                        (Canta a Epístola)

1. O Intróito, Kyrie e Coleta

  • O Celebrante vai ao missal no lado da epístola com os ministros. Lê o Intróito e o Kyrie em voz baixa.

  • O Banco (Scamnum): Se o canto do coro for longo, o MC sinaliza para que os ministros se sentem no banco sagrado. A ordem no banco é: Celebrante no meio, Diácono à sua direita e Subdiácono à sua esquerda. Eles cobrem os joelhos com as vestes e colocam o barrete. Ao sinal do MC para retornar, tiram o barrete e levantam-se.

2. O Canto da Epístola (Múnus do Subdiácono)

  • Durante as últimas orações da Coleta, o MC entrega o Epistolário (livro das leituras) ao Subdiácono.

  • A Execução: O Subdiácono faz a reverência ao Altar no meio, coloca-se no plano voltado para o altar no lado da epístola e canta a Epístola em tom ferial para toda a igreja. O coro não responde.

  • A Bênção: Terminada a leitura, o Subdiácono vai ao Celebrante (que está no lado da epístola), ajoelha-se no degrau, beija a mão do Celebrante e este faz o sinal da cruz sobre ele. O Subdiácono translada o missal para o lado do evangelho.

3. O Canto do Santo Evangelho (Múnus do Diácono)

Esta é a cerimônia mais dramática e solene da primeira parte da Missa.

  • Preparação: O Diácono toma o Evangeliário, vai ao meio do altar, coloca o livro sobre a mesa, ajoelha-se sobre o supedâneo e reza o Munda cor meum. Levanta-se, toma o livro, ajoelha-se diante do Celebrante e pede a bênção: Iube, domne, benedícere. O Celebrante abençoa-o com a fórmula Dóminus sit in corde tuo...

  • A Procissão do Evangelho: Forma-se a linha: Turiferário -> Dois acólitos com velas acesas -> MC -> Subdiácono -> Diácono segurando o livro junto ao peito. Descendendo ao plano, fazem genuflexão e vão para o lado do evangelho, voltados para o norte (ou parede lateral).

[PAREDE DO EVANGELHO] <-- [DIÁCONO (com livro)] <-- [SUBDIÁCONO (sustenta o livro)]
                          [Acólito V]               [Acólito V]
  • A Ação: O Subdiácono serve de estante viva, segurando o Evangeliário aberto contra o peito. O Diácono canta Dóminus vobíscum, faz o sinal da cruz no livro, na testa, boca e peito, e incensa o livro três vezes. Canta o Santo Evangelho.

  • Conclusão: O Subdiácono leva o livro imediatamente ao Celebrante para que este oscule o início do texto evangélico. O Diácono retorna ao meio do altar e incensa o Celebrante com dois golpes.

PARTE III: O OFERTÓRIO E O MISTÉRIO DA PALA E DO VÉU DE OMBROS

1. O Oferecimento do Pão e o Múnus da Água

  • O Pão: O Diácono toma a patena com a hóstia e entrega-a ao Celebrante com os ósculos devidos. O Celebrante oferece-a.

  • A Água (Múnus do Subdiácono): O Subdiácono vai à credência, toma a galheta de vinho e de água. No altar, entrega o vinho ao Diácono, que o deita no cálice. O Subdiácono eleva a galheta de água em direção ao Celebrante e diz: Benedícite, Pater reverénde. O Celebrante faz o sinal da cruz sobre a água e o Subdiácono deita algumas gotas no cálice.

2. O Mistério do Patenário (O Subdiácono Oculto)

Na Missa Solene, a patena permanece oculta por grande parte da Missa, lembrando o recolhimento e o sepultamento de Cristo.

  • O Véu de Ombros: O MC coloca sobre os ombros do Subdiácono o Véu de Ombros (Vellum da cor do dia).

  • A Patena: O Diácono entrega a patena vazia ao Subdiácono. O Subdiácono cobre a patena com a extremidade direita do véu de ombros e vai para o plano, no meio, atrás do Celebrante, permanecendo ali de pé, segurando a patena velada na altura dos olhos até a oração do Pater Noster.

                 [ ALTAR - CELEBRANTE ]
                    [ DIÁCONO ]
     (Plano)     [ SUBDIÁCONO ] (Segura a patena velada)

2. A Incensação das Ofertas e do Povo

  • O Celebrante incensa solenemente as oblatas (fazendo três cruzes e três círculos com o turíbulo sobre o cálice e a hóstia) e depois incensa o altar.

  • A Cadeia de Incensação: O Diácono incensa o Celebrante (2 golpes). Em seguida, o Diácono caminha pelo côro e incensa: os Clérigos Assistentes -> O Subdiácono no plano (2 golpes) -> Os Acólitos e o Mestre de Cerimônias -> E, por fim, voltando-se para a nave, incensa todo o povo fiel leigo (1 golpe coletivo), reconhecendo-os como membros do Corpo Místico.

PARTE IV: O CÂNON E AS ELEVAÇÕES (O ÁPICE DO SACRIFÍCIO)

1. A Consagração

  • Durante o Sanctus, dois acólitos (tocheiros) entram com grandes tochas acesas e ajoelham-se dos lados do altar, permanecendo até após a comunhão.

  • A Posição dos Ministros: Ao iniciar as palavras sagradas da Consagração, o Diácono ajoelha-se no degrau imediatamente à direita do Celebrante, sustentando o turíbulo fumegante. O Subdiácono ajoelha-se no plano, no meio, mantendo a patena velada.

                     [ ALTAR - CELEBRANTE ]
      [Tocha]      [DIÁCONO (Ajoelhado com turíbulo)]      [Tocha]
      (Plano)      [SUBDIÁCONO (Ajoelhado com patena)]

2. As Elevações

  • Da Hóstia: O Celebrante consagra e eleva a Hóstia. O Diácono, ajoelhado, incensa a Sagrada Hóstia com três golpes solenes no momento exato da elevação. O acólito toca a campainha. O Diácono levanta-se ligeiramente para erguer a fímbria da casula do Celebrante durante a elevação.

  • Do Cálice: Ocorre exatamente da mesma forma. O Diácono descobre o cálice, genuflete, ajoelha-se, incensa o cálice com três golpes na elevação, levanta-se para cobrir o cálice com a pala e genuflete junto com o Celebrante.

PARTE V: OS RITOS DA PAZ, COMUNHÃO E DESPEDIMENTO

1. A Quebra do Jejum da Patena (Libera nos)

  • Durante o Pater Noster, o Subdiácono no plano faz a genuflexão, sobe ao altar, entrega a patena ao Diácono e retira o véu de ombros. O Diácono limpa a patena com o sanguinho e a entrega ao Celebrante. O Subdiácono retorna ao seu posto no plano.

2. O Ósculo da Paz (A Corrente da Caridade)

Na Missa Solene, a paz é transmitida através de uma corrente litúrgica rigorosa, expressando a unidade eclesial:

  • O Celebrante oscula o Altar e, voltando-se para o Diácono, coloca as mãos sobre os ombros deste, dizendo: Pax tecum. O Diácono inclina-se, une as mãos abaixo das do Celebrante e responde: Et cum spíritu tuo.

  • O Diácono desce os degraus, vai ao Subdiácono no plano e transmite-lhe a paz da mesma forma (Pax tecum). O Subdiácono transmite a paz ao Mestre de Cerimônias ou ao clero assistente no coro.

[CELEBRANTE] --> (Ósculo) --> [DIÁCONO] --> (Ósculo) --> [SUBDIÁCONO] --> [CLERO]

3. A Comunhão e as Abluções

  • A comunhão do clero e dos fiéis leigos segue o rito tradicional, com o Diácono cantando o Confiteor no degrau inferior.

  • As Abluções Maiores: O Subdiácono serve as galhetas de vinho e água para a purificação dos dedos e do cálice do Celebrante. É o Subdiácono quem limpa o cálice com o sanguinho pela última vez, dobra o corporal e recoloca o véu sobre o cálice, transladando-o para a credência.

4. O Despedimento e a Saída

  • O Celebrante saúda o povo no meio com o Dóminus vobíscum.

  • O Múnus do Diácono: O Diácono coloca-se no meio, voltado para o povo, e canta em tom festivo: Ite, missa est. O coro responde com o cântico gregoriano.

  • Após a Bênção Final e o Último Evangelho, os ministros maiores recebem os barretes e saem na mesma ordem da entrada, fechando o ciclo litúrgico do Santo Sacrifício.




APOSTILA LITÚRGICA DIOCESANA: RATIO CELEBRANDI – MÓDULO III

MANUAL DE EXECUÇÃO DA SANTA MISSA CANTADA (MISSA CANTATA) CONFORME AS RUBRICAS DE 1962

Para uso do Clero, Mestres de Cerimônias e Acólitos da Diocese Pessoal de São Pio V


DIRETRIZES GERAIS DA MISSA CANTADA

A Missa Cantada (Missa Cantata) é uma forma litúrgica intermediária de altíssima importância pastoral. Conforme a legislação eclesiástica tradicional, ela se caracteriza por ser uma Missa sem Ministros Sagrados (ou seja, sem Diácono e sem Subdiácono), mas na qual o Celebrante canta as partes que lhe competem, auxiliado por um coro e por acólitos leigos.

Para o perfeito andamento do RPG, os seminaristas devem compreender que a estrutura da Missa Cantata herda a solenidade e o uso do incenso da Missa Solene, mas a execução prática das tarefas e das leituras é adaptada, já que o único sacerdote no Altar deve acumular certas funções.

PARTE I: PREPARATIVOS, PARAMENTOS E ENTRADA

1. Preparativos no Altar e na Credência

  • O Altar: Velas acesas (mínimo de quatro, sendo o ideal seis velas de cera branca). O missal permanece aberto no lado da epístola. O cálice já deve estar colocado no centro do Altar, coberto com o véu e a bolsa, com o corporal estendido por baixo (diferente da Missa Solene, onde o cálice fica na credência).

  • A Credência: Galhetas de vinho e água com o prato; a patena de comunhão; as galhetas para o lavabo com o manustérgio; e a naveta com o incenso.

  • O Tenebrário/Galo (Se aplicável): O uso do incenso é plenamente permitido na Missa Cantata segundo as rubricas de 1962.

2. Paramentos do Celebrante

O Sacerdote veste-se exatamente como na Missa Rezada: Amito, Alva, Cíngulo, Manípulo, Estola e Casula. Ele não usa Pluvial para celebrar a Missa, a menos que realize o rito do Asperges antes da celebração.

3. Estrutura dos Acólitos (Apoio Secular)

Na falta de Diácono e Subdiácono, a Missa Cantada exige uma equipe de acólitos bem treinada, coordenada por um Mestre de Cerimônias (MC) leigo:

  • Mestre de Cerimônias (MC): Guia o sacerdote, vira as páginas do missal e coordena as posições.

  • Acólitos 1 e 2 (Ceroferários): Portam os castiçais com as velas.

  • Turiferário e Naveteiro: Encarregados do incenso.

PARTE II: RITOS INICIAIS E ACÚMULO DE FUNÇÕES

1. Entrada e Orações Iniciais

  • A procissão entra enquanto o coro canta o Introitus.

  • As Orações ao Pé do Altar (In nómine Patris, Salmo Iudica me e Confiteor) são rezadas pelo Sacerdote no plano, tendo o MC e os acólitos ajoelhados ao seu redor respondendo às preces, simulando o papel que seria do Diácono e Subdiácono.

       [ ALTAR COM SEIS VELAS ]
       
            [ SACERDOTE ]
     [MC]                  [ACÓLITO]

2. A Incensação Inicial (Feita pelo Sacerdote e pelo MC)

  • Após subir os degraus e oscular o Altar, o Sacerdote impõe o incenso na naveta apresentada pelo MC (que diz tacitamente o Benedícite, Pater reverénde).

  • O Sacerdote incensa o Altar sozinho, exatamente como faz na Missa Solene. Ao terminar, ele entrega o turíbulo ao MC no lado da epístola.

  • Múnus do MC: É o Mestre de Cerimônias leigo quem assume o papel de incensar o Sacerdote com dois golpes (ictos).

PARTE III: A LITURGIA DA PALAVRA (O ACÚMULO DAS LEITURAS)

Na Missa Cantada, o Sacerdote assume a responsabilidade de proclamar todos os textos sagrados, pois não há ministros para auxiliá-lo.

1. O Canto da Epístola

  • O Sacerdote vai ao lado da epístola. Ele canta a Epístola em voz alta voltado para o Altar ou para o missal.

  • Nota canônica: Em algumas igrejas, se houver um clérigo de ordens menores (leitor) ou um seminarista de sobrepeliz assistindo, este pode cantar a Epístola; do contrário, o próprio Sacerdote o faz. No fim, o acólito responde: Deo grátis.

2. O Canto do Santo Evangelho

  • O Sacerdote lê o Gradual ou Trato em voz baixa. Enquanto o acólito translada o missal para o lado do evangelho, o Sacerdote vai ao meio do altar, inclina-se profundamente e reza o Munda cor meum.

  • A Incensação do Livro: O Sacerdote vai ao lado do evangelho, canta Dóminus vobíscum e anuncia o Evangelho. O turiferário aproxima-se. O Sacerdote toma o turíbulo e incensa o missal três vezes antes de iniciar o canto do Evangelho.

  • O Canto: O Sacerdote canta o Santo Evangelho voltado para o livro. No fim, o acólito responde Laus tibi, Christe. O MC toma o turíbulo e incensa o Sacerdote com dois golpes. O Sacerdote oscula o livro.

PARTE IV: O OFERTÓRIO E O CUIDADO DOS VASOS

1. A Ausência do Subdiácono e da Patena Velada

  • Diferença Crítica: Na Missa Cantata, não há véu de ombros e a patena não permanece oculta.

  • O Sacerdote realiza todo o Ofertório sozinho, como na Missa Rezada: oferece a hóstia na patena, vai ao lado da epístola, deita o vinho e abençoa a água, deitando a gota mística. Coloca a patena parcialmente debaixo do corporal.

                  [ ALTAR ]
   [Pala] -> [Cálice] -> [Patena (sob o corporal)]
             [ SACERDOTE DE PÉ ]

2. A Incensação das Ofertas e do Povo

  • O Sacerdote incensa as oblatas e o Altar.

  • Ao terminar, entrega o turíbulo ao MC.

  • A Incensação do Povo: O MC incensa o Sacerdote (2 golpes). Em seguida, o turiferário (ou o MC) vai ao meio do côro e, voltando-se para os acólitos e para a nave, incensa todo o povo fiel leigo com um golpe coletivo, mantendo a dignidade do laicato na assembleia litúrgica.

PARTE V: CÂNONS, ELEVAÇÕES E RITOS FINAIS

1. O Cânon Romano e as Elevações

  • A dinâmica do Cânon segue o silêncio estrito e a mística da Missa Rezada, mas com o coro cantando o Sanctus e o Benedíctus.

  • As Elevações: No momento da Consagração, o turiferário ajoelha-se no plano, no meio, diante dos degraus, e incensa a Hóstia e o Cálice com três golpes no momento exato em que o Sacerdote os eleva acima da cabeça. Os acólitos ceroferários permanecem ajoelhados com suas velas.

                     [ ALTAR - CELEBRANTE ]
    [Acólito V]                                    [Acólito V]
               [TURIFERÁRIO AJOELHADO NO MEIO]
                     (Incensa o Santíssimo)

2. A Ausência do Ósculo da Paz

  • Atenção Rubricista: Na Missa Cantada, não se dá o ósculo da paz. Como não há Diácono e Subdiácono paramentados para receber a paz do Celebrante e transmiti-la em cadeia, o Sacerdote reza a oração da paz (Dómine Iesu Christe, qui dixísti...), oscula o altar, mas não se volta e não transmite a paz aos acólitos ou ao MC. O rito segue diretamente para a comunhão.

3. O Despedimento

  • Após as abluções (servidas pelos acólitos na epístola) e as orações pós-comunhão, o Sacerdote volta-se para o povo no meio do altar e ele mesmo canta o Ite, missa est.

  • O coro responde cantando o arranjo gregoriano correspondente à festa do dia. Seguem-se a Bênção Final e o Último Evangelho, encerrando a celebração.

RESUMO COMPATIVEL PARA O ORBE VIRTUAL

Ação LitúrgicaMissa Rezada (Lecta)Missa Cantada (Cantata)Missa Solene (Solemnis)
Canto

Não há

Sacerdote e Coro cantam

Ministros e Coro cantam

Incenso

Não permitido

Permitido e Recomendado

Obrigatório

Ministros

Apenas Acólitos leigos

Apenas Acólitos e MC leigos

Sacerdote, Diácono e Subdiácono

Epístola

Lida pelo Sacerdote

Cantada pelo Sacerdote

Cantada pelo Subdiácono

Evangelho

Lido pelo Sacerdote

Cantado pelo Sacerdote (+ Incenso)

Cantado pelo Diácono (+ Procissão)

Patena Oculta

Não

Não

Sim (Pelo Subdiácono)

Ósculo da Paz

Não há

Não há

Sim (Em cadeia clerical)




APOSTILA LITÚRGICA DIOCESANA: RATIO CELEBRANDI – MÓDULO IV

TRATADO COMPLETO DA MISSA PONTIFICAL NO TRONO (MISSA PONTIFICALIS CORAM THRONO) CONFORME O CÆREMONIALE EPISCOPORUM E AS RUBRICAS DE 1962

Para uso do Clero, Insigniários, Mestres de Cerimônias e Alunos do Seminário Nossa Senhora do Rosário


DIRETRIZES GERAIS DA MAIESTAS PONTIFICALIS

A Missa Pontifical no Trono é a plenitude da Liturgia Romana. Ela manifesta a plenitude do Sacerdócio de Cristo na pessoa do Bispo, que governa, santifica e ensina como legítimo sucessor dos Apóstolos. No contexto de nossa Diocese Pessoal, esta apostila visa guiar o clero e os seminaristas na exatidão dos ritos quando Dom Ghislieri ou Dom Atanasio oficiarem solenemente na Catedral de São Pio X.

Na Missa Pontifical, a engenharia humana atinge o ápice, exigindo uma corte eclesiástica numerosa para que os símbolos da autoridade apostólica (as insígnias) e os mistérios divinos sejam conduzidos sem a menor distração ou erro.

PARTE I: A CORTE PONTIFICAL (OS OFICIAIS E INSIGNIÁRIOS)

Diferente da Missa Solene comum, a Missa Pontifical exige uma estrutura de oficiais que servem diretamente à dignidade e às insígnias do Bispo:

  • O Bispo Celebrante: O Ordinário ou o Auxiliar com direito de Trono.

  • O Presbítero Assistente (PA): O sacerdote mais digno (frequentemente o Prior ou o Chanceler), revestido de Pluvial. Ele assiste o Bispo no missal, segura a patena no Ofertório e modera as ações da Cúria no Altar.

  • Os Diáconos de Honra (Primeiro e Segundo): Dois sacerdotes paramentados com Dalmáticas que ladeiam o Bispo no Trono, assistindo-o no manejo das vestes e nas saudações.

  • Os Ministros de Altar: O Diácono e o Subdiácono da Missa (idênticos aos da Missa Solene).

  • Os Quatro Insigniários (Leigos ou Seminaristas de Sobrepeliz):

    1. Portador do Báculo (Baculi ferarius): Carrega o cajado pastoral.

    2. Portador da Mitra (Mitri ferarius): Carrega a cobertura pontifical usando o Vellum (véu de ombros de seda) para não tocar na insígnia com as mãos nuas.

    3. Portador do Livro (Liber ferarius): Sustenta o Pontificale ou Canon diante do Bispo.

    4. Portador do Bugio/Castçal Manual (Bugie ferarius): Segura uma pequena vela acesa ao lado do livro para facilitar a leitura do Bispo em todos os momentos.

PARTE II: O RITO DE ENTRADA, RECEPÇÃO E PARAMENTAÇÃO

                 [ TRONO EPISCOPAL ]
           (Acessível por três degraus)
   [Diácono de Honra 1] [BISPO] [Diácono de Honra 2]
         [Bugio]     [Livro]     [Mitra]    [Báculo]

1. A Entrada e Recepção do Bispo

  • O Traje de Entrada: O Bispo entra na Catedral revestido de Roquete, Mozeta, Cruz Peitoral e Solidéu roxo, portando a Cappa Magna de cauda longa.

  • A Recepção: À porta da Catedral, o Cura da Catedral (Padre Hercules) apresenta o hissope com água benta com os ósculos de praxe. O Bispo asperge-se e depois asperge os presentes. Caminha em procissão até o Altar do Santíssimo para breve adoração, e depois sobe ao Trono Episcopal (situado do lado do Evangelho, elevado por três degraus).

2. A Solene Paramentação no Trono

  • Nota canônica: O Bispo tradicional não se veste na sacristia, mas à vista de todo o povo, no Trono, simbolizando como Cristo se despiu de Sua glória para revestir-Se da nossa carne.

  • O Desnudamento: Os Diáconos de Honra retiram a Mozeta e a Cappa Magna do Bispo.

  • O Revestimento: Os acólitos trazem os paramentos da credência um a um. O Bispo recebe e veste: o Amito, a Alva, o Cíngulo, a Cruz Peitoral (cujos cordões ficam expostos sobre a alva), a Estola (que o Bispo deixa cair direita, sem cruzar), a Tunicela, a Dalmática (o Bispo usa ambas as vestes debaixo da casula para mostrar que possui a plenitude de todas as Ordens Sagradas), as Luvas de seda, o Anel Pontifical e a Casula.

  • A Mitra e o Gremial: Coloca-se a Mitra Preciosa sobre a cabeça do Bispo. Sobre seus joelhos, estando sentado, estende-se o Gremial (um pano de seda ornamentado).

PARTE III: A LITURGIA DA PALAVRA PONTIFICAL

1. O Sétimo Castiçal e as Orações ao Pé do Altar

  • O Sétimo Castiçal: Sempre que o Bispo Ordinário celebra na sua diocese, coloca-se um sétimo castiçal aceso atrás da cruz do Altar, significando a plenitude do magistério apostólico local.

  • As Orações: O Bispo desce do Trono com a Mitra e o Báculo, vai até o meio do Altar, entrega as insígnias aos ministros e inicia as Orações ao Pé do Altar com o Diácono e o Subdiácono da Missa, enquanto os Diáconos de Honra permanecem atrás.

2. O Trono como Sede da Palavra

  • Terminada a primeira incensação (idêntica à da Missa Solene), o Bispo retorna ao Trono. Ele lê o Intróito, o Kyrie e o Gloria do livro que o insigniário sustenta à sua frente, auxiliado pela luz do bugio.

  • Pax Vobis: Após o Gloria, o Bispo, em vez de dizer Dóminus vobíscum, saúda a igreja dizendo: Pax vobis (A paz esteja convosco), lembrando a saudação de Cristo Ressurgido.

  • As Leituras: O Subdiácono canta a Epístola e vai ao Trono; ajoelha-se diante do Bispo, beija-lhe a mão e recebe a bênção episcopal. O Diácono coloca o Evangeliário sobre o Altar, vai ao Trono, oscula o anel do Bispo, ajoelha-se e recebe a bênção solene para cantar o Evangelho. O Bispo permanece de pé no Trono, segurando o Báculo Pastoral com as duas mãos durante todo o canto do Santo Evangelho.

PARTE IV: O OFERTÓRIO E O SACRIFÍCIO SACRAMENTAL

                     [ ALTAR DE DEUS ]
 [Subdiácono] [DIÁCONO DA MISSA] [BISPO] [PRESBITERO ASSISTENTE]
                                         (Segura a Pátena)

1. O Múnus do Presbítero Assistente (PA)

  • No Ofertório, o Bispo vai ao Altar. O Presbítero Assistente coloca-se à direita do Bispo, junto ao missal. É o PA quem retira a patena das mãos do Diácono e a apresenta ao Bispo para o oferecimento da hóstia.

  • O Diácono deita o vinho e o Subdiácono apresenta a galheta de água, pedindo a bênção ao Bispo: Benedícite, Pater reverénde. O Bispo faz o grande sinal da cruz e a água é misturada.

  • O Lavabo Pontifical: Após a incensação das ofertas, o Bispo não vai ao lado da epístola. Ele permanece no meio do altar, e os acólitos mais dignos trazem uma bacia de prata e jarro. O Bispo lava as mãos enquanto o PA sustenta a toalha.

2. A Consagração e o Uso do Solidéu

  • O Solidéu (Zucchetto): Logo após o término do Sanctus, o MC retira o solidéu roxo da cabeça do Bispo. O Bispo permanece com a cabeça totalmente descoberta (capite nudo) por toda a Oração Eucarística, por respeito à presença real e iminente do Rei dos Reis no Altar. O solidéu só é recolocado após a purificação do cálice.

  • As Elevações: No momento da Consagração, o Diácono e o Subdiácono ajoelham-se nos degraus. O PA ajoelha-se no supedâneo à direita, elevando ligeiramente a fímbria da casula pontifical. O turiferário incensa o Corpo e o Sangue de Cristo com três ictos duplos.

PARTE V: OS RITOS DA PAZ, BENÇÃO PONTIFICAL E DESPEDIDAS

1. A Transmissão da Paz Real

  • Após o Agnus Dei, o Bispo oscula o Altar. Ele transmite o Ósculo da Paz primeiro ao Presbítero Assistente. O PA desce e transmite a paz ao Diácono da Missa. O Diácono da Missa transmite ao Subdiácono e este ao restante do clero no coro.

2. A Solene Bênção Pontifical

Esta é a bênção mais solene que um fiel leigo pode receber na terra, carregada de indulgências.

  • Após o Ite, missa est (cantado pelo Diácono), o Bispo recebe a Mitra e o Báculo. Voltando-se para o povo no meio do altar, ele canta as preces pontificais:

    • Bispo: Sit nomen Dómini benedíctum.

    • Coro: Ex hoc nunc et usque in sæculum.

    • Bispo: Adiutórium nostrum in nómine Dómini.

    • Coro: Qui fecit cælum et terram.

  • O Bispo eleva a mão direita e, fazendo três sinais da cruz (um para o centro, um para a esquerda e um para a direita), abençoa a assembleia: Benedícat vos omnípotens Deus: Pater, + et Fílius, + et Spíritus + Sanctus. Amen.

                 [ BISPO NO ALTAR ]
        (Três sinais da cruz com o báculo)
       [+ Esquerda]    [+ Centro]    [+ Direita]

3. O Último Evangelho e a Deposição

  • O Bispo recita o Último Evangelho no lado do evangelho. Ao terminar, retorna ao Trono Episcopal, onde os Diáconos de Honra e os acólitos retiram cuidadosamente os paramentos sacrificiais e o revestem novamente com o Roquete e a Mozeta.

  • O Bispo emite uma última oração de ação de graças e retira-se com sua corte eclesiástica, deixando no coração dos fiéis a certeza de terem assistido à Liturgia do Céu realizada na terra.